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WINNE - Interview with José Gomes Ferreira
Contribuído por WINNE.
Fundador e Ex-Director Geral (Citelfónica)

Luanda - 2005-08-08

Gostaríamos de saber quando é que foi fundada a Citelfónica, número de empregados e as suas perspectivas.

Bem, somos uma empresa com 30 empregados, por isso, neste aspecto não somos uma grande empresa. Mas em termos históricos, a Citelfónica tem algo de novo, porque no momento da independência, em que tudo era do Estado, nós críamos a primeira empresa privada pós independência e isto é um orgulho para nós.

 

Foi possível, com muitas dificuldades, e arranjamos logo um sócio angolano, e conseguimos criar a primeira empresa privada em Angola. E sempre nos temos mantido a trabalhar, com altos e baixos, é claro, mas de uma forma contínua, durante estes 30 anos de independência.

E a nossa acção principal começou com a instalação de Centrais Telefónicas Alcatel, nós éramos representantes exclusivos em Angola. Nós também introduzimos em Angola o primeiro PABX digital telefónico. Este aspecto faz parte da história de Angola, em termos de começar com equipamentos digitais, depois a empresa foi evoluindo e, ultimamente, apresentou propostas valiosas em microondas e/ou cabos de fibras ópticas para fazer as Auto Estradas da Informação. Há um programa muito vasto de desenvolvimento das telecomunicações, nestas Áreas, com os Chineses.

A Citelfónica esteve sempre aberta desde a sua criação e qual a sua facturação?

Esteve sempre aberta, mas tivemos altos e baixos que fizeram com que a empresa cresce-se. Desde, 2001, quando reassumi a empresa, temos sempre duplicado a nossa facturação. E 2005 não é bom ano. Perdi, por acidente rodoviário, dois colaboradores importantes e eu estive doente, por isso, acho que este não tem sido bom ano. Mas vamos ultrapassar. Vamos integrar mais pessoas, os meus 2 filhos vão chegar, e iremos introduzir um novo produto, “Angola Call” em parceria com a Front Serv, que será uma revolução para Angola, o VoIP; isso traduz que poderemos fazer uma chamada telefónica de Angola para os Estados Unidos a custo que se pratica na Europa e noutros cantos do Mundo, e é isso que nos vai ser permitido fazer com a Internet de Banda Larga, que também instalamos.

Esta inovoção não vai criar problemas com as operadoras?

É verdade que vai competir com as operadoras A.T, Movicel e Unitel, mas somos uma pequena empresa, por isso, não estamos preocupados para competir á dimensão deles e não podemos criar muitos problemas por causa da nossa dimensão, mas para nós, penso que vai ser um bom negócio. A nossa intenção é participar em todo desenvolvimento das infra-estruturas comunicacionais e estamos em contacto com americanos e europeus, para eles se associarem connosco.

Vocês parecem gostar de trabalhar mais com chineses do que com americanos e europeus?

É um bom tema para falar. Realmente por outras razões que vocês conhecem, por causa da corrupção e outras coisas que se alega, a comunidade internacional, Europa e América, eu sou português e estou a vontade como empresário para falar disso, não fazem aquilo que prometeram que quando acabasse a guerra em Angola iriam ajudar o País. Sentimos que isso nos faz falta. É lógico que gostaríamos de trabalhar mais com americanos e europeus do que com os chineses, não tenho nada contra os chineses, não é por questão nenhuma política. Aliás, bato palmas aos chineses por estarem ajudar Angola, agora é uma pena que os americanos e europeus não saibam aproveitar este momento de grande desenvolvimento do País. As pequenas empresas, tanto antigas como as novas, precisam de injecção de capital, seria ou serão bem bem-vindo todas as contribuições, tal como Citelfónica, há muitas empresas locais que devem ser apoiadas . Isso não se tem verificado, e eu tenho muito receio de que os chineses se instalem nas empresas nacionais, é pena que os americanos e europeus não avancem, podia ser uma excelente triangulação entre Angola, Europa e América.

E quem é realmente culpada pela ausência desta triangulação? Como empresário acha que é o facto de Angola não saber projectar bem esta imagem de transparência. E acha que as eleições de 2006 vão de facto realizar-se?

A própria pergunta já questiona se as eleições irão se realizar em 2006, portanto, é um pouco disso que se passa nas mente das pessoas estrangeiras, continuam a ter dúvidas. Eu não tenho dúvida, acredito que as eleições hão de se realizar em 2006, não é um problema assim tão grave como a comunidade internacional está a pensar, é verdade que há aspectos que a imprensa fala como a corrupção, não posso de modo nenhum recusar que haja, mas existe em todo mundo, na América também existe tal como na Europa, em graus diferentes, mas existe. É de natureza humana. Eu estou muito triste com os americanos e europeus pois há muitas forma de ultrapassar isso. Estou de acordo com as ideias do Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional que dizem que tem de se resolver estes problemas para depois se discutir os acordos monitorados etc, etc.
Mas enquanto isso não se resolve ficamos todos parados a ver o está acontecer. Porque enquanto não se resolve, a Comunidade Internacional podia dizer, há dinheiro para resolver o Caminho de Ferro de Benguela, por exemplo, que é um dos maiores empreendimentos, mas impondo condições. Portanto, sou da opinião que enquanto não se resolve a questão da transparência há outras vias de resolver. É isso que eu critico da comunidade internacional. Porque não podem as infra-estruturas ficar paradas há 3 anos, e o povo fica sem trabalho.

Qual seria a sua mensagem para os investidores que vão ler esta reportagem, sobretudo da sua empresa.

Bom, já tivemos alguns contactos com empresas americanas. O projecto de microondas de que lhe falei para Luanda e Benguela o fornecedor de equipamento microondas éra americana, uma das melhores neste ramo. Quando vêm missões americanas em Angola, vem com grandes empresários, mas estes empresários não chegam até nós, pequenos empresários, nunca ninguém veio a minha empresa. E as grandes empresas que conheço só estão interessadas em vender, nunca em investir.

 

 
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